domingo, 2 de março de 2014

A vida é sobre o adeus

A vida é sobre o adeus.
Você tem uns minutos para cativar,
ficar, aproveitar.
Mas o tempo acaba
e todos tem de partir.

Quebramos nossos corações o tempo todo.
Malditas expectativas.
A vida é sobre abrir mão
deixar partir
e também ir.

Porque tudo é assim...
Começo e fim.
Tristeza e apreço
Felicidade não é endereço...
Partir
abrir mão.

Um dia você estará diante
de uma nova floresta
para desbravar
e se tiver consciência,
não vai olhar para trás.
Não olhe.

A vida é sobre deixar.
Mas eu nunca saberei dizer
se dói tanto para quem parte
como dói para quem fica.

2 comentários:

  1. "Os anos passam e, enquanto envelhecemos, perdemos amigos e amores... A natureza é mesmo inteligente: Conforme ficamos solitários, aceitamos melhor a morte."


    Bela poesia.

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  2. Voltando após uma "maratona" de leitura no seu blog...

    Tomei a liberdade de fazer alguns comentários em algumas de suas poesias, embora não saiba se você vai ler...

    Sabe, eu estava pensando no ódio que sinto nessa época de carnaval, enquanto pesquisava à procura de palavras solitárias como as que eu costumo escrever... Acabei por encontrar o seu blog e fiquei fascinado com suas poesias.

    A solidão não existe pela falta de pessoas ao seu redor... Ela existe quando seus sentimentos não são compreendidos...

    Quando li suas poesias, foi como se mais alguém sentisse o que eu sinto... Por causa disso, deixei de me sentir solitário.

    Obrigado.

    Se não tem problema, vou colocar, aqui, uma poesia que escrevi, com base no mito da caverna, de Platão. Agradeço se puder ler:

    Teia de Aranha: A tese, a antítese e a síntese.

    A aranha negra teceu sua teia
    Nesse mundo despedaçado
    Emaranhando nossos corações
    Envolvendo-nos com a escuridão

    Estamos dentro de uma caverna
    Amarrados, de costas para a saída
    Não vemos a luz
    Apenas sombras que passam pela parede
    Não podemos mover nossos pescoços
    Estamos presos nessa ilusão
    Vivendo uma falsidade

    Embriagados por prazeres efêmeros
    Deslumbrados com nossa "inteligência"
    Somos "senhores do universo"
    Somos "reis", "somos deuses"
    Sim, somos senhores
    De um universo de fantasia

    Eu acordei
    Eu vi a luz, eu vi a saída
    Eu olhei para fora da caverna
    Meus olhos foram ofuscados pela claridade
    E minha mente ficou atribulada
    Eu vi a verdade
    E, por um instante, ela me entorpeceu

    Eu acordei,
    Eu vi a luz, eu vi a saída
    Eu agarrei a verdade com ambas as mãos
    Para enxergar além do mundo da fantasia
    Eu cuspi o veneno da ilusão
    O doce e agradável veneno da antiga realidade

    Minhas pernas, desamarradas, mal conseguem andar
    O ar do real queima os meus pulmões
    Eu tremo e sinto medo, mas não posso soltar a verdade
    Estou confuso, estou perdido
    Mas, sim, estou vivo

    A tese, a antítese e a síntese
    Além da minha compreensão
    Sombras falsas que eu via
    Desapareceram da minha visão

    De repente, a luz transforma-se em trevas
    A aranha negra em meus ombros, admira as ruínas
    A verdade é dolorosa, muito pior do que a ilusão
    Sim, apenas um solitário em meio à escuridão.

    A realidade é mais horripilante que a fantasia
    Ou será que, aquela luz, também era uma mentira?

    Confuso, despojei-me da razão. Onde eu estou?
    Preso em um sonho, tentando escapar?
    Onde eu estou?
    Ainda na caverna, tentando acordar?

    Sonhos e esperanças
    Misturados ao veneno

    Desejos e objetivos
    Misturados ao veneno

    A mentira e a verdade
    Misturadas ao veneno

    Embriagados por prazeres efêmeros
    Deslumbrados com nossa "inteligência"
    Somos "senhores do universo"
    Somos "reis", "somos deuses"
    Sim, somos senhores
    De um universo de fantasia

    Somos reis...
    Do vazio de nossa existência.

    Onde eu estou...?

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