sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A poesia


Ela me chama,
Intima-me
Convida-me
Eu não posso dizer não.

Ela me envolve
Com seus afagos mortais,
Com seus suspiros carnais.
Invadindo meus momentos de paz.

Ela sempre me encanta.
Enclausura-me, me aprisiona.
Faz-me enlouquecer, com os olhos em chamas

“Não me tentes não me enlouqueça,
Não arranques o último vestígio
De lucidez- amada perversa.
Não me largue nesse caminho sem volta.

Mas ela não se importa
Ela não me ouve, não quer ouvir,
Apenas toma posse
Da minha alma, da minha vida, do meu existir.

Quebra todas as minhas barreiras;
Em minha mão coloca um objeto
Faz-me sua prisioneira.

Escraviza-me, hipnotiza.
Em transe começa a captar.
Todos os murmúrios do mundo,
E me obriga no papel anotar.

E me obriga a rimar,
E me obriga a harmonizar, a escolher.
As palavras perfeitas.

E quando tento fugir,
Tento escapar,
Se rir de mim
E me diz que marcou meu lugar.

É uma praga, é profecia.
Pois no fim eu vou retornar.
E me render aos pés dela: A poesia.

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