terça-feira, 8 de abril de 2014

Sem asas

Desenhados feito pássaros,
desenhados com o desejo
Insano do voo
Desenhados, balanceados.
e cada tentativa de voo
quebrados ficavam
Mas quem nasce para voar
mas quem nasce para voar
Quem nasce para alcançar o céu,
quem nasce para ter liberdade
não se contenta com
a prisão que é o chão
desenhados para o voo.
para desbravar o céu.
as estrelas e o luar.
Desenhados para ver
o mundo lá de cima
e nesse desenho que deus criou
só faltou mesmo as asas.

Crueldade

Parece cruel.
mas não é cruel.
Cruel foram as bombas...
as minas, os explosivos
que espalharam por todo meu corpo
e todo meu ser.
E é isso que eu sou.
Uma bomba relógio
em contagem regressiva,
prontinha pra explodir meio mundo.

Parece cruel,
mas cruel é sentir.
cada uma dessas bombinhas
explodirem cá dentro de mim.
efeitos e tremores
que culminam no silêncio
na chuva, na tristeza e na solidão.

Parece cruel,
Julgue o quanto quiser,
mas cruel foi sentir a dor
que eu senti,
e essa mesma dor me apodreceu.
Em mim nada mais brota...
e isso é muito cruel.

Teremim

Apagado da história
Ninguém nem sabe que existiu,
Perdido entre espaços
Como criou-se nem se sabe
Há certo mistério
Há certo borrão
Melodia essa de onde veio?
Quem ouviu ressoar?
Quando ouviu?
Quem ouviu?
Era o som de um Teremim
Um Teremim
abandonado no tempo,
meio assombroso
meio mágico,
meio obscuro,
e conquistador.
Tocar sem tocar
e reproduzir
apenas com a posição das
mãos
a melodia fantasmagórica
que assusta mais retém.
E retém...
Sou eu,
Tal qual um teremim...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Cacos

Ouvi de novo o estilhaçar
tão comum aos meus ouvidos.
Vi os cacos se espalharem.
Tão comum aos meus olhos
Sai catando os pedaços...
como sempre acontecia ao fim.
Quebrou-se novamente minha alma...
E lá vou eu remendar...
Coloco pedacinho por pedacinho.
Mas no fim eu sei,
algum pedacinho ainda há de faltar.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ele se inspira, eu escrevo

Ele é como um abraço
e tem cheirinho de Mucilon
e quando vem meu mundo
fica acolchoado.

Tem dias que tudo o inspira
mas ele fica ali
resistindo a escrever,
até minha rústica pintura
e me diz das minhas cores
das que escolho
e as sente
e as define
é como andar descalço.

E tem dias por outro assim,
como os de hoje
que até um codinome
que vem como beija-flor
o inspira sem boa noite
e ele fica ali resistindo a escrever...
mas poeta é assim
faz versos sem perceber

e me lê
e me diz
que meu jeito é assim
como beber água num copo
limpo.
Ah esses poetas...
que seria de mim,
sem eles?!

Moedinhas


Eu era como aquele garotinho
Que achava que com uma moeda de um real
Podia comprar o mundo
Então passou a juntar muitas moedinhas num cofrinho
Como se fosse um milionário
Para dar um mundo
Diferente pra cada um.

E então um
Dia esse garotinho
Quebrou seu cofrinho
Quando acreditava que podia
Comprar um mundo para cada pessoa que conhecia e saiu para a compra.

Quando voltou
juntou os cacos do cofrinho
e pensou que o mundo era caro
demais.

moedas não compram o mundo.
Dinheiro é só mais uma ilusão.

Desperdiçada

Como água no chuveiro
gotas quentes descendo por um corpo frio.
A quietude de um domingo à tarde
molho de pimenta no pastel de frango
vendido por um cara na feira
que não era chinês.
Arde.
Eu tiro os sapatos e ando pela casa,
esquadrinhando os momentos
os sentimentos
os beijos e as pontas dos dedos.
lixo as unhas...
esqueço o diagrama
desenhado no céu,
renego a pátria.
Não falo nenhum idioma,
e quando a noite vem,
eu me escondo na sombra,
se eu fumasse acenderia um cigarro.
E leio
e choro baixinho.
No próximo domingo será o mesmo.
Minha mãe vai ligar
e dizer que eu deveria fazer mais.
-A vida minha é um desperdício.
Fosse outro,
fosse outra faria melhor.
Mas algumas vidas nascem para ser desperdiçadas.
Eu vim,
e foi por isso
para compensar os excessos
da falta de desperdícios.