segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Para ver de perto



Mas a lua é extremamente feia
Sua superfície são buracos
Crateras.
E as cores que meus olhos veem
Podem não ser cores.
Podem nem ser.
Mas à distância,
A essa distância
Sem enxergá-la direito
Apenas com a impressão que temos
Da lua.
Nós a achamos bela.
Surpreendentemente linda.
E então eu penso
Não estaríamos nós
Em nossa vida
Observando tudo à distância?
No final tudo é extremamente feio.
Veja de perto.

domingo, 25 de agosto de 2013

Esses que nos matam um poema!


Sua presença assassinou o poema.
Eu estava a ponto de escrevê-lo.
Estava aqui
Na ponta de meus dedos.
Mas você veio
E sua presença o matou.
Poderia ser o pior poema do mundo
Ainda assim
Era um poema
Mas eu nunca saberei
Porque você matou
Meu poema.
Bem que deverias morrer também,
Vocês que nos assassinam os poemas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Livre?



Por que tu crês que está livre o pássaro
Somente porque o ver voar?
Não te passa o pensamento
De que o ar é a prisão do pássaro?
Porque crês que o peixe é livre no mar
O mar pode ser sim,
Sua prisão.
Porque crer que estou eu livre
Só porque posso ir a qualquer lugar.
Se qualquer lugar pode ser minha prisão.
A liberdade é um conceito raro.
Que não cabe exemplificar o pássaro,
Ou o peixe.
Tão pouco o poeta.
Tão preso em seus próprios versos
Tão livre em sua poesia...

Ai de mim 1



Ai de mim que estou embriagada de mim mesma
Buscando-te entre meus lábios
Na gota do vinho que escorre
No murmurar da coruja.

Ai de mim que me encontro cativa.
Desse enevoado querer de emoções
Dessa boca que é só nostalgia
Desse meu que é só poesia.

Ai de mim que volto incauta
Intocada da religião.
Ai de mim que diante do padre
Não apresentei nenhum coração.

Ai de mim que devo punir-me
Para arrancar de dentro o pecado
Via crucis de mim mesma.
Rua deserta
Porta aberta
E cama vazia depois das cinco da manhã.
Outro pecado.

Ai que estou embriagada de mim mesma.
Um terço, um pão que é teu corpo
Um  vinho que é teu sangue.
E perdão.

Ai de mim...
Que se não fosse assim
Tão cheia de carmim
Seria límpida como a neve.

Ainda ai de mim que sou errante
Lunática, culpada  pela lei... Incorreta.
Ai de mim que te amo.
Ai de mim que sou poeta.

Depois de mim

Depois de mim
será qualquer outra...
será a moça da esquina
será a caixa do supermercado que sempre te sorri.
Será a atendente do Subway.
Será a gentil gerente do banco.

Depois de mim será qual uma.
Será a moça que é frentista.
Será aquela que é dentista.
Ou será a tenista.

Depois de mim será qualquer outra.
a gerente do RH...
será a cabeleireira
será a chefe de cozinha.

Será a médica
a doutora,
a advogada.
será aquela que não faz nada.
e vive para te esperar.

Depois de mim...
será qualquer outra...artista...
Quem sabe..pintora.
Mas nunca, nunca será
como eu...outra poetisa.

PROTESTO

Protesto
Fiz um protesto
Com o pretexto
De escrever um texto
Para um protesto.
E no protesto
Só deviam haver textos
Que deixasse o mundo do avesso
Que reivindicasse com o pretexto
De ser um protesto.
No fim descobri que o meu protesto
Era um pretexto
Pra fazer um texto.
Pro povo esquecer
A causa real do protesto!
Que Texto?
Que pretexto!