terça-feira, 2 de julho de 2013

Eu que não sei dessa gente

Nem sei desse povo que mal se olha.
Que mal se vê,
que mal se toca.
Que mal se fala,
que envia sms
e jamais dialoga.

Nem sei dessa gente
que faz fila no banco.
que faz fila no SUS.
Que faz fila para conhecer Jesus.
Porque é tudo um por vez.
E quando chegar sua vez.
Sabe... não haverá mais fichas.

Mas eu nem sei dessa gente.
Por onde andam,
por onde vão.
Nem o que pensam.
Imagina.
Na verdade,
eu nem sei nada sobre mim.
Quem dirá sobre  essa gente.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

E o que me diz dos Sonhos?



Eu também sonhei mais que Napoleão.
Mas os prédios se ergueram mais do que eu.
Disputando o espaço aéreo.
No mercado imobiliário.
Compra-se o chão,
Compra-se o ar.
O espaço para voar.
Também pertencem aos prédios.
Aos seus donos.
E seus cachorros com coleiras brilhantes.
Diamantes.
Ou às Amantes.

Eu também sonhei mais que Napoleão.
Desafiei o destino.
E assim como a Napoleão
O destino veio e me prendeu em Elba.
Exilada.
Amaldiçoada.


Eu sonhei mais do que os sonhadores.
Os que são pagos para sonhar
E disseminar essa ideologia.
"Porque seus sonhos isso...ou aquilo..."
Publicitários de uma vida
Cheia de ilusão.
O que eu tenho a dizer?!
Foram os sonhos que comeram uma parte do meu estômago.
outra parte do meu cérebro.
E destruíram o meu coração. Te entendo Napoleão.


Eu sonhei mais que todos vocês.
E é por isso que estou com o coração na mão.
E ambos perdemos.
Tanto eu.
Quanto Napoleão.

Viva aos sonhos.

sábado, 29 de junho de 2013

E eu não tenho um amor

São duas da manhã
E eu escrevo.
Ridícula.
Hipócrita
E aprisionada.

Sair?
Minha mãe disse não.
Eu obedeço autômata.
São 2:07.
E minha mão e mente estão conectadas.

Ouço um tenor.
E penso que se eu tiver um amor.
Eu ouviria Etta James.
Mas eu não tenho um amor.

São 02:10
Acabaram os papéis.
E doem minhas mãos.
Mas escrever? Desisto não.

Mas se eu tivesse um amor?
Escreveria como na minha miopia.
Ele é tão minha poesia?
Não. Não. Acho que não.

São 02: 15.
Poesia, poesia, poesia.
Ei mãe? Posso sair amanhã?
Talvez eu encontre um amor.

São 02: 30.
Mais poesias.
Que mundo sem cor.
Mais poesia.
E eu não tenho um amor.


Onde?



Onde?
As portas fechadas
Janelas baixadas
Cortinas empoeiradas
Prateleiras vazias

Onde?
Perco-te e te encontro
Assombro-me e, no entanto
Você não está aqui.
Perdi.

Onde?
Cheiro de abacaxi.
E você não está aqui,
Música de dormir
Pijama no corpo
E como dormir?

Cama vazia
Vozes caladas
Já é de madrugada
E você não está aqui.

Murmuro saudades
Onde você foi de verdade
Por piedade,
Nem poema consigo compor.
Ele se foi.
Ele partiu.
Porque como tudo tem fim.
Seu amor também acabou.
E FIM.
 

Vou me encontrar com Byron



Abdico Pessoa.
Devo beber,
E beber
E depois transportar-me
E atirar-me no Tâmisa
E deixar meu espírito
Onde sempre quis estar
Existindo funebremente
No Hyde  Park.
Hey Byron.
Vamos nos encontrar?!

Qualquer coisa



Tanta angústia em viver
Tanta vontade de ser
Tanto querer existir
Punhado de palavras sem rimas
Bando de rostos
Pintados sem expressão
Tanta pressa em amar
Tanta vontade de lutar
Em falar
Em beijar
Tanta ânsia em ser
Que foi...
Foi qualquer coisa.