sábado, 15 de junho de 2013

Por um segundo, liberte-me....

Não sirvo,
Não sei se sirvo.
Não vou servir.
Ao mundo,
À corte
À arte
Ao amor.
Reacionei.
Chutei o mundo,
os fantasmas
amaldiçoei os mortos!
Não Sirvo.
O coração também não serve.
E as ideias estão sem acentos
livres pelo mundo a fora
sem servir a ninguém…
Desfrutando a tal liberdade…
Não sirvo a nada
E ainda me sinto Serva.
Por um segundo tristeza.
Liberte-me

Belos são os olhos que choram




A coisa toda agora é assim:
Belas frases.
Belos escritores
Belos Carros
Belos livros
Belos homens
Belas mulheres
Belas roupas.
Belos sapatos
Belos cabelos.
Belos o caralho...
Belo é o meu coração e ninguém vê.
Belo é o meu caráter que ninguém olha.
Belos são os meus olhos chorando a sinceridade.
Admitindo a tristeza,
Dizendo a verdade.
E a verdade é bela.
Mas publicam a mentira.
Continuem com essa merda toda.
A beleza me tira a inspiração!

Fotografia

Se não nos tocamos.
Se não nos beijamos
Não somos nós.
São eles.
São os outros.
Nós somos beijos,
Somos abraços
E dedos entrelaçados.
Isso somos nós.
Somos a troca equivalente.
Valente.
Que tudo suporta.
Sem nos desconectar.
Somos alquimia.
Poesia.
Dia.
Noite.
Somos nós.
Beijos, abraços, promessas.
Se não nos tocamos não somos nós.
São outros.
São eles, que nos olham.
Mas jamais seremos nós.
Nós somos a fé no amor eterno.
Somos o amor eterno.
Nós somos uma fotografia,

abraços e mão dadas.
Parado no tempo.
E assim o amor é eterno.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Meu caso com Charles Parte III




Eu começo com uma história bonita e acabo assim pedindo ajuda. Espalho papéis pelo quarto, por um momento perco a razão. Não sei o que me sucede. É sexta feira de uma semana vermelha. Tudo se tornou tão vermelho. É Charles em minha vida. É o sentimento que ele me causa. Eu o conheci pelo nome. E o nome Bukowski chama a atenção. No primeiro momento eu achava que ele era Russo. Mas Bukowski era um nome alemão. Eu estava passando por cirurgias no peito, hipoteticamente. O drama é minha cena. Haviam levado meu coração e deixado o peito aberto. Agora me restavam agulhas para costurar meu peito, saltos altos,vestidos curtos e copos de vinho para beber, e escrever poemas de tristeza, dor e ódio. Charles veio para mim depois que todos se foram, éramos dois perfeitos desgraçados, ele com um diferencial especial. Eu com a solidão e a tristeza sobre as costas.
-Baby eu quero escrever.
Às vezes ele me encarava. Dois poetas, uma única cena. Dramaturgia pequena, encontro de titãs.
-À vontade Charles. Eu digo.

Minutos depois ele recita para mim o verso que acabou de escrever.

Querida,
as espécies de crocodilos têm
Existido há 300 milhões de anos
e você extinguiu-se
Noite passada.

Eu olho para ele, nos olhos, ele não quer que eu responda, nem quer que eu entenda.
-Você também é só cinzas Charles.
-Baby, já estamos extintos dentro de nossas calças. As pessoas... Querida as pessoas já se extinguiram. Ficaram apenas essas que assistem comerciais na TV e acreditam neles. Ontem a noite eu estava sentado em um bar. Você sabe, eu odeio bares. Enfim, tocava Chopin, nocturne, e eu me senti melhor. Então uma dessas deusas douradas me apareceu. E perguntou se a música não estava me enfadando... Não é que eu defenderia Chopin. Mas... as pessoas estão extintas. Eu mesmo já fui extinto. Você... –Ele veio até mim, tocou meus cabelos- você não deveria deixar as coisas te extinguirem.
-Tarde demais Charles, eu também estou só as cinzas. Espalhadas por aí, que alguém soprou, estou enterrada no ar.
Ele aperta meu nariz.
-Baby você é uma tremenda dramalhona.
E Bukowski foi ficando na minha vida, entre as linhas dos meus poemas, na tom desalmado das minhas lágrimas, nas minhas prateleiras. Foi ficando, ganhando espaço, me ganhando.
E em pouco eu já o amava, mesmo estando sem coração e com o peito todo remendado. 
Suspirei.
Charles, eu te amo. E isso ainda vai me matar...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Guardo

Guardo cadáveres
Que o mar traz à praia
Guardo a um canto os corações partidos,
Que se quebram ao cair no chão
E eu artesão tento resgatá-los.
Recolho as lágrimas abandonadas ao vento
Recolho a dor jogada a um canto.
Resgato a tristeza atada a tua alma.
Os salvo do assombro das madrugadas
Pois fico aqui acordada.
Sussurrando e tremendo
Atada a uma folha em branco,
E uma pena que escreve
Com tinta de sangue
A dor da humanidade
Trazida com aqueles cadáveres
Para a beira da praia.
Restos mortais de homens e mulheres
Que amavam demais
E se afogaram naquele mar de amor.
Recolho do mundo a maldade
A tristeza e a ansiedade.
A saudade e a traição
Deixo tudo preso em palavras.
Vigiado por aqueles cadáveres
E no mundo deixo livre o amor
E a felicidade
Para quem quiser resgatar.

Ironia


Ser sozinho não dói tanto assim.
Não irrita tanto assim,
Não é como se me faltasse algo,
Porque minha estante está repleta.
É um funcionalismo barato.
Regado a vinho e Beethoven.

Ser sozinho não é tão doloroso.
Nem pai, nem mãe.
O telefone passa mudo a semana inteira
Às vezes alguma notificação.
A minha garganta não tem um nó.
E eu não sinto essa eminência de chorar
E de não levantar todo dia.
Acho que estou feliz.

Pelas cinco da manhã de sábado desperto.
Chico Buarque toca no meu celular. É o despertador.
Ser sozinho não é tão ruim.
E quando morrer
Devagar,
Suspirando,
Os pássaros virão à minha janela,
E notarão a minha ausência na praça.
Quintana, nesse dia eu não passarinho.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A ladainha

Repito-me.
Não para que me entendas.
Pessoas normais não vão me entender.
Mas para que saibas que essa droga toda tá por ai.
por aqui,
por ali.
Ao teu redor.

Tem gente que chora.
Tem gente que rir.
Tem gente que vai embora.
A morte chega aqui e ali.


Repito-me.
Moço, a tristeza mata.
A realidade corta a pele.
Eu choro ouvindo os gritos silenciosos
desses seres torturados.

Repito-me.
Não quero que me entendas.
Apenas que abandone sua cegueira.
Olhe para o lado.
Pode ter alguém precisando de você....

Quem sabe, seja eu.