sexta-feira, 26 de abril de 2013

Em versos de poesia



Depois que levou consigo seu triste olhar
Deixe-me ficar, embevecida, pelo manto da solidão
Deixei criar raízes fortes, no meu coração.
Deixei-me olhando o horizonte como a fitar as ondas do mar.

E na areia da praia podia ver,
Outros dois, abraçados e sorrindo
Olhando as ondas vir a molhar seus pés...
O sol la longe, sumindo.

Pude ver as mãos dadas,
Os olhos cheios de promessas...
Promessas nunca findadas,
Mas com os olhos expressa.

Eis o amor dos apaixonados.
Alguns sentem alegria
Outros somente podem
Escrever isso em versos de poesia!

O balanço


 E eu nunca mais vi o balanço
Talvez porque eu nunca tive um balanço.
Mas na minha memória, a memória que eu criei era como se eu tivesse.
E naquele balanço por tantas vezes,
Havendo frio ou calor, chuva ou sol, lá estava eu.
Balançando a vida. Balançando o mundo,
Às vezes balançava mais rápido,
Às vezes queria ir mais alto.
Mas sabe, apesar do impulso ser tremendo
Sozinha eu não podia alcançar a altura que desejava.
Nunca houve gargalhadas.
Nem palavras de incentivo. Apoio.
Aquela coisa de “Vai em frente, eu estou contigo”.
Eu podia sentir medo e me corroer pelo medo,
E então eu agarrava as cordas do meu balanço
E mordia os lábios até sangrar.
O movimento do balanço me fazia uma pessoa livre.
Agora estou olhando o lugar vazio,
Onde o balanço deveria estar,
Nostalgia e melancolia.
E por fim a gente da uma volta completa na vida.
E percebe isso quando volta ao mesmo lugar da partida.
O meu balanço não está mais lá.
E eu também não.
”

segunda-feira, 22 de abril de 2013



Coração por favor,
Devagar.
Está me sufocando.
Pulmões por favor respirem.
Eu não estou respirando.
Mãos mantenham-se longe da lamina.
Ela vai machucar meu corpo.
Cérebro não enlouqueça agora.
Olhos por favor não chorem.
O dia ainda não acabou.

Os que se alimentam de nós




Usurpam tudo de mim
Atrocidade!
Levam direitos, a felicidade,
E até minha solidão.
Põe-me numa esteira.
Uma linha de produção.
A esteira anda.
Produzo. Movo peças.
Aperto engrenagens
Eu tenho uma chave.
Que não abre portas.
Meu corpo cada vez mais raquítico,
É tanto trabalho.
Tanto sacrifício.
Minha mente revoltada.
Sozinha não faço nada
Além de pensar.
Crio interrogações.
Quem é?! Por que está tudo assim?
Concedo símbolos aos irmãos.
Alguns se riem de mim.
Mas quando veem mais pontos de interrogações estão surgindo.
E seu cruel equilíbrio ameaçado.
Eles decepam minhas mãos.
Arrancam meu cérebro de mim.
E com eles fazem sua refeição.
Assim eles mantém seu cruel  equilíbrio.
Yin Yang forçado, forjado.
Mas é um desequilíbrio,
De um lado o mais forte,
Do outro o lado mais fraco.
Até o dia que não
Nos decepem mais as mãos.
Chegará este dia?
Grande utopia.
Até lá,
Eles continuarão
Se alimentando de nós.

A dor mora na rua



Na rua estão os malandros
Os cafajestes e os bêbados
As mulheres fáceis e as prostitutas
Os cachorros abandonados
Os gatos mancos.
O idoso desprezado.
Os drogados,
Os viciados.
Os bandidos.

Estão também os desesperançados.
Os desprezados.
Os invisíveis.
Aqueles que eram chacotas.
Os pobres.
Os ratos.
Os vermes.

Na rua também está o poeta.
Este que registra tudo silenciosamente
À base de muito papel em branco e lágrimas.
Ouvindo muitas histórias.
Registrando muitas vidas.

Descobri, elegante senhor.
Que na rua tem muito morador.
Porque a dor mora na rua.

Queimam os monges



Fugiram para os mosteiros.
Personagens da dualidade da vida.
Foram-se resguardar da maldade.
Da atrocidade.
Não voltaram.
No mosteiro rezaram.
No mosteiro cultivaram outra vida.
Outra alegria.
Melancolia sem propósito.
O respeito gradual a tudo.
A nada.
Respeito.
Mas o homem. Os outros homens são desbravadores.
Chegam sempre aos mosteiros.
Devastam tudo.
Devastam o mundo.
Dos monges.
Que choram
Que imploram
Que rezam.
E foi nesse cenário.
Vimos os monges queimarem.
A seus corpos.
A libertarem a sua alma.
A defenderem sua utopia.
Ao fim. Não há liberdade no mundo.
Há o caos, há a hermética paciência.
A teoria sem prática.
Há homens que matam para viver.
E vivem para matar.
Há relatividade.
Há gravidade.
Há o horror.
Meus caros, mas não há,
Não há um pingo de amor.
E por isso queimam os monges.
Mesmo sem saber que são monges.
Mesmo sem saber que estão em constante combustão.
Intacto estará seu coração.