domingo, 24 de março de 2013

E lá está ela..




Ela está lá, dobrada sobre o caixão, sem sentimento.
Alçando, levando, e levando mais um espírito.
Eu a olho. Não estou assustada. Estou furiosa.
Estou cansada, estou farta de tanto sofrimento.

Ela possui asas. Não são asas pretas. São cinza.
Como uma cena e lembranças de um passado.
Aparência arrogante, cabelos negros e imponentes.
Estou tonta, mas corajosa, a encurralo.

Ela me olha, os olhos com um brilho opaco.
Como se não enxergasse nada a sua frente.
Sustenta-me o olhar.
Maldição! Ela me desafia. Mas essa eu não vou perder.

Grito. Chamo-a de cruel, de impiedosa.
Prometo um dia matá-la! Amaldiçoo-a com mil palavrões.
Tirados da minha coleção do inferno.
E ela simplesmente se rir de mim.

Toca-me o queixo, poderosa, mostra grátis de como é forte.
E diz: “ Se tudo é assim, é porque vocês humanos são fracos.
Hipócritas, imorais e frágeis pecadores. Conforme-se. ”
E rindo lá se vai ela.  E eu fico na penumbra, desejando um dia matar a morte.

Ele me inventa





Ele me inventa,
e me desinventa.
Me monta e me desmonta
Me cria,
e depois me destrói.
Me embeleza.
Me torna adorno.
Me faz estrela
Depois me tira o brilho,
E me deixa imóvel
Sobre a  estante.
Para mais tarde
Voltar a me reinventar...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Onde está Nossa Senhora?







Cecília,
Onde está nossa Senhora?!
-Pondo a roupa para secar.
Enxugou as lágrimas das beatas,
Que choravam devotas, fervorosas.
Com seus terços às seis da tarde.

Onde está nossa Senhora?
-Pondo os anjos para dormir.
Zelando pelo sono de Jesus.
O menino dorme.

Onde está nossa Senhora, Cecília?!
Nós não temos mais Graça.
É hora da novela.
Nossa senhora está alienada.

terça-feira, 19 de março de 2013

O chapéu panamá



Eu poderia ter escrito sobre o tempo,
Sobre as abóbadas do teatro ou do céu.
Sobre a música de Ray Charles,
Sobre a geniliadade dos versos do Chico.
Mas hoje me chamou a atenção o teu chapéu.
Aquele chapéu panamá que você esqueceu em cima dos meus livros.
Bonito.

Tentei achar um lugar para ele.
Mas ele não se encaixa na minha mobília.
Na semana anterior um pintor que me visitava,
Pediu para retratar.
Pediu para que eu usasse. Apenas o chapéu.
Virou um retrato.

Ontem o músico que por aqui passava me pediu
Para ajudar numa melodia.
E olhando o chapéu, decidiu chama-la de panamá.

Hoje o poeta em frente à minha casa, observando o chapéu,
Escreveu versos sobre como aquele chapéu era maravilhoso.
Era a lembrança da boemia.
Um malandro.

Agora eu estou na tua porta.
Receba a droga desse chapéu de volta.
Não quero que nada teu fique comigo.
Já basta que me disseste que é como amigo
Que devo lembrar de ti.

domingo, 17 de março de 2013

Eu parei com as poesias de amor



Recebi uma carta perguntando porque eu parei.
Eu parei de escrever poesias de amor,
Eu parei de desejar flores.
E alguém me perguntou porque parei.

Eu parei de olhar o horizonte,
O por do sol insuportavel,
Me perguntaram porque parei.
Eu simplesmente parei.

Me perguntaram porque parei com o café,
E os livros de poesia.
Droga!
Porque parei com os meus sonhos.

Eu parei porque alguém veio e me mostrou,
A realidade.
Desde então estou doente.
Tão doente que não posso escrever.