terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sem nenhuma voz

E se déssemos um grito?
E se despertássemos toda humanidade?
Que dorme esquecida
da nossa dor
Do nosso frio...
Da nossa fome
E ele do meu amor?
Grita comigo?

E se fizéssemos tanto barulho
mas tanta balbúrdia
que o mundo incomodado com a nossa
inquietude
com nossos gritos
e clamores
não descansasse?

E se discutíssemos aos gritos,
cartazes, barulhos,
sirenes, o futuro da humanidade.
Todos com sua voz.
Você aqui e eu aí.
Por que toda a humanidade dorme?

Ah querida- ele me disse:
Como sempre, os gigantes nos calariam a voz.
Esmagando nossa garganta e quebrando nossos dedos.
E então estaríamos nós,
Com frio,
fome e desesperados.
Sem nenhuma voz.

-Assim já estamos.

Algum barulho

Preciso acordar às 6:00 da manhã.
Mas a tabacaria está fechada.
A padaria está fechada
A farmácia está fechada
A boca de fumo está fechada
os trombadinhas da rua foram dormir
As luzes se apagaram
Os policiais desligaram as sirenes
a mulher do prédio parou de gemer
O homem parou de gritar
As portas pararam de ranger
Os músicos pararam de tocar.
Todos se foram dormir.
Todos se foram para suas camas
E eu fiquei acordada
Atormentada pelo silêncio do mundo.
Alguém, por favor, faça algum barulho.

5 pontos

Feridas não cicatrizam assim tão rápido.
às vezes nem cicatrizam.
Ficam ali,
pulsando.
Doloridas.
Despertando a cada movimento.

Feridas doem.
E fazem instantaneamente com que a escondamos
porque ter feridas não é são.
é, nesta vida...
parecem-me todos sãos.
sem ter nenhuma ferida.

Olho-os. 
Será que como eu eles as escondem?
Ou são seres tão extraordinários que nunca se ferem?
Olho-os...

Movimento-me e sinto a dor
despertando na coxa.
Sinto os olhos marejarem.
Ainda nem me curei 
desta ferida...
e outra já me surge desinibida...
Pequena,
mas  profunda.
Outra vez me feri.

E sozinha,
Não consigo estancá-la.
É, parece que desta vez...
preciso de pelo menos uns cinco pontos...
 

sábado, 3 de agosto de 2013

Triângulo amoroso

Triangulo amoroso


Jurandir é um cara interessante.
Jurandir gosta de comer cereal pela manhã.
Jurandir escreve poemas de amor
para uma garota, Larissa.
E deixa na caixa de correios dela.
Toda semana.
Duas vezes por semana.
Jurandir fala três idiomas.
Tem um salário bom.
Trabalha o dia todo.
Não sonha em ser escritor.
Escreve poemas de amor.
Porque precisa falar
o que nunca conseguirá falar.

Constance é uma garota feia.
Constance escreve poemas de amor
para o Jurandir.
Jurandir nunca lê os poemas de Constance
porque está escrevendo poemas para Larissa.
Constance não ouve elogios.
Constance não come.
Constance pensa no suicídio.
E implora ajuda.
Mas Jurandir
não está nem aí para Constance.

Larissa é a garota bonita.
Nunca leu um livro na vida.
Mas todos os caras se interessam por ela.
Ela viu Jurandir duas vezes,
uma numa boate,
e outra na padaria.
Não prestou muita atenção a ele.
Sua caixa de correio está sempre cheia
Então ela a esvazia.
Toda semana.
Duas vezes por semana.
E entrega aquelas correspondências para a garota
da casa ao lado,
que se chama Constance.

Constance se apaixonou pelo poeta
que escreve poemas de amor.
O poeta se apaixonou pela musa.
E Constance sofreu.
A musa jamais olhou para o poeta.


Triângulo de amores desencontrados.
Sim, você já ouviu essa história.
O amor é assim...


Anoiteci

Eu estava anoitecendo.
Dentro de mim um mormaço.
O farrapo humano 
de um dia cansativo.
A vontade de nunca mais chegar ao amanhã.
O gosto salobro na boca.
O ocaso da luz.
dos teus olhos fechando.
E nuvens escuras comendo o sol.
Anoiteci.
A noite em mim chegou grosseira.
Tenebrosa.
Destas que não tem lua.
E não tem estrelas.
O breu da alma de alguém.
Eu.
Anoiteci.
E me vi
Sozinha,
Sem amparo
Sem abraço.
Você está sozinho no mundo.
eu também.
todos nós estamos.
Quando você cai
O único que pode 
reerguê-lo
é você mesmo.
Conheci.
O medo da escuridão
Convivi com os monstros soturnos
Traiçoeiros da minha mente.
Destes que comem carne de gente
e regurgitam sua dignidade.
Anoiteci.
Esperei para ver se alguma luz vinha.
Me fiz forte para superar.
E de repente pensei que talvez
houvesse luz no fim do túnel.
e tive medo.
tanto medo.
Medo desesperador
E convivi com ele.
Quando amanheci.
Havia superado o medo
Então...
Amadureci.


Na realidade: nossos versos

Voltei para mim
algo assim
contínuo na dor
na tristeza
e na solidão.
Será de estranhar
o dia em que não sinta
esse retorno.
Que não me sinta perdido.
Porque isso tudo
vai muito além de mim.
Abrange o mundo.
“Um vazio do tamanho de Deus”.
E não é só a dor.
Tem tanta coisa aqui dentro
E nada parece o bastante
Mesmo que mergulhe
no mais profundo das águas
Ainda volto incompleto
quando me encontro com a superfície.
E me sinto ainda mais perdido.
Ah maldita superfície.
Ah maldita realidade.


Osmose permitida com: Joshua Sebastian Duran

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quando eu aprender, escrevo sobre felicidade. Por enquanto não.

Eu sou uma dessas coisas
que deus por engano deixou cair na terra.
Que não combina com nada.
Toda errada.
Sem jeito
Sem arestas 
imperfeita.

Eu sou uma dessas coisas
que ninguém quer.
Que ninguém usa.
Nem para apoio do pé.

Eu sou uma dessas coisas tristes
que Deus chorou.
Porque me chorou Senhor.
Porquê?

Eu sou uma dessas coisas 
vazias de tudo.
E repleta de dor.
Porque senhor 
porque?!

Parece que diz-me na cara.
Alguém neste mundo tem de experimentar este tipo de dor.
E este alguém é você!

Porque senhor?!

Porque ?