domingo, 28 de julho de 2013

Por eles...

Amém.
E digam amém.
E digam que nem
Vão se deixar.
Eu quero ter fé
Nesta mulher.
Eu quero um nome
Uma rima
Quero ter fé neste homem.
E digam amém
E digam também
Vão se amar.
Preciso de uma história
Para contar
De um poema para escrever.
Beijem-se.
Abracem-se.
Preciso viver.
Meu peito é inerte.
Sem vida e infértil.
Mas se me der um tema.
Eu faço um poema.
De amor eterno.
E digam:
Amém.
Na minha poesia
Serão eternos também.

Em homenagem ao passarinho morto na rua

Eu lamento.
lamento muito.
Toquei seu corpinho frio e morto.
E o coloquei no canto da rua.
Deus dos bichinhos.
Que maldade com o passarinho.
Ele poderia viver e viver
Cantar e voar.
E mostrar a todos
o que é liberdade!
Que maldade!
Que maldade!
Morrer logo o passarinho.
Enquanto há muitos como eu
que só se ergue na vida por inércia.
E considera o mundo, 
um mundinho. Um mundinho.
De bom grado
eu daria
minha vida pela do passarinho.
Ele seria muito mais útil do que eu.

Dicionarismos

Deixe que eu te ame em silêncio.
Sem explicações
Sem definições
Sem dicionarismos.
Esse sentimento que você não
Vai encontrar nas páginas de nenhuma
enciclopédia Britânica arcaíca.
Muito menos no Wikipédia.
Deixa eu te amar
Apenas por amar
Por me sentir próximo a você
E ter vontade de te presentear com minha presença.
Porque se em algum momento
eu tiver de me explicar e quebrar meu silêncio
Saiba que o amor acabou.

Porque amor não se explica.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ele que sabia tudo sobre mim...

Ele sabia tudo de mim
Sabia minha dor e minha angustia
Sabia da tortura e da poesia
Sabia das minhas cicatrizes
e onde encontrar cada uma delas.
Sabia sobre a melancolia
Sabia quando a dor apertava.
Era em sangue que eu vertia
Sabia
Gutural
Sabia do meu bem e meu mal
sabia da paixão intensa
Sabia do prazer,
do disparate.
Sabia e não ria da minha arte
Uma coleção completa
de infelicidade, injustiça e desamor.
Sabia da minha entrega total à solidão.
Ao inferno.
E minha devoção obsessiva pela tristeza.
Sabia que por falta de ser qualquer coisa.
Eu pensei em ser poetisa.
Ele sabia tudo sobre mim.
E tudo do meu amor.
Mas disse-me:
“Pequena não chore assim.
Poetas, poetas não se apaixonam entre si”.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Inquietude

O poeta é na verdade o inquieto.
A inquietude do arquiteto.
do engenheiro
a consciência do médico.
a melancolia do contador
que nunca contará histórias.
O poeta é na verdade
um estado permanente de poesia.
Que chega na janela
no alto do prédio
e olha pessoas.
e vê pessoas cansadas, iludidas, chorosas, sofridas.
Enquanto a
maioria só vê pessoas.
O poeta.
é um grande perdedor
de tempo
de vida
de sonho.
seus próprios.
Porque passa o tempo todo pensando.
E quando nada tem que pensar
recosta-se no espaldar
da cadeira e se pergunta:
Em que pensarei hoje?

Rascunho




Eu preciso me mudar
Ser eu em algum lugar
onde possa me achar.
outra direção,
outro corpo outro aspecto
outra caricatura
outra criatura

Deus.
O rascunho está pronto.
Crie-me novamente.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Devolução


Nada disto é meu.
Nada em absoluto.
Apenas vou colhendo o que é do mundo
e outros autores
o que eles me causam é poesia
será que eu causo poesia em alguém?
É apenas a reação espontânea.
é minha alma vazia
que se preenche de qualquer palavra
a minha mente fértil
que vive em poesia
porque não sabe escrever romances.
Mas nada disto é meu.
É um pouco do Charles, do Drummond, do Pessoa e Saramago.
É um pouco de G. Dias, Castro Alves, Mario Quintana
É um muito de Álvares, do Gabo, Neruda.
É um nada de Cora Coralina.
(e muitos tantos de outros).
Porque se não for inspiração.
É reação.
E nada neste mundo é meu.
Por isso,
devolvo em versos.