domingo, 16 de dezembro de 2012

Laços




Segurava teus dedos suavemente
Como um náufrago se segura à jangada,
Que por ventura salvará sua vida
Assim também segurei teus dedos.

Tocava-te o rosto como um escultor,
Procurando gravar os traços
Que esculpiria para sempre
No mármore da minha mente.

Beijava-te ardentemente, sorvendo essa essência vibrante
Que uns chamam de amor, e eu não podia limitar com palavras,
Porque quando me tocava era mágico
Exuberante momento de peles a se tocar...

Mas desfez-se. Tudo se desfez no momento seguinte,
Em que meu coração entreguei.
Malditos pássaros que voaram. Malditas flores que se despedaçaram...
Malditos laços que se desfizeram.

Maldita vida que me secou!
Deixando espectros pelas paredes
Sussurros e palavras não ditas
Murmurando, murmurando.

E o toque se desfez, eu já não segurava teus dedos.
Gravados teus traços, esculpidos na minha mente
E o peito gritando aquele sentimento que era maior que o amor
No fim, apenas me restou, recolher o cenário dessa cena.

Adeus também amor. Desfaço agora o último laço.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Mimetizando



De Tanto não querer existir
Acabei mimetizando,
Transformando-me
Misturando-me
Com os móveis da casa.

Perdi minha identidade,
Aquela vontade de querer viver...
Basta-me existir, como qualquer outro ser.
Inanimado.

E ninguém notou. Permanecia sentada naquela cadeira,
Fundindo a minha essência e a dela...
E me perdi na essência dela.
E aquela cadeira me absorveu.

Sem notar, pouco a pouco,
Envelheci. Gradualmente perdendo as cores,
E a utilidade.
Mimetizando, sem identidade.

E ninguém notou, se quer que aos poucos,
Fui desaparecendo, escondendo,
Percorrendo um caminho único para dentro de mim
Absurdamente.

Tomei a essência dos móveis.
Tomei a essência das sombras...
E esqueci a essência humana, que me definia anteriormente.
Antes de eu parar de viver...

Para simplesmente existir,
Como os móveis.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Contrária




Não há força na minha fraqueza.
Não levantarei se eu cair,
Permanecerei inerte esperando
A tempestade de dor levar-me para o mar
Onde me afogarei longe do mundo.

Não vou fingir que não sinto dor,
Muito menos que sinto amor.
Neste peito meu há o negrume...
Daqueles que não nasceram para a luz.

Não vou prometer nada,
Não cumprirei nada.
Minha missão na vida,
É ser verdadeira...
Nem que para isso eu tenha de ser contrária..
A você.

Medos


Eu tenho medo do tempo que passa
Tão rápido que eu nem vejo
Eu tenho medo dessas datas
Que ficam apenas marcadas no calendário

Dessas fotografias que tinham sorrisos...
Cheias dessas decorações que lembram o paraíso
Eu tenho medo do que há por trás das máscaras,
Que depois de tanto tempo entendi.

Eu tenho medo dessas pessoas,
Cheias de ideologias, que gritam noite e dia,
Paz, amor, democracia, filosofia meu camarada,
E depois que o sol se põe não fazem nada.
São só gritos.

Eu tenho medo -  desesperada
Da ajuda que nunca chega
Desse Deus que por vezes me desampara
Que passas Senhor? Tens raiva de mim?

Eu tenho medo e isso me incomoda
Esse medo de alguém que ia vir para a vida minha...
Não chegar.
Medo de permanecer assim, para todo o sempre
Sozinha. 

Enlace




Que infortúnio tu trazes a meu viver bela Dona.
Seus olhos tentadores, luzentes.
Cheios de pecados.
Mestres toquem a marcha fúnebre...
Estou a ponto de morrer de amor.

Minha bela amante de lábios rosados
Candura traz em seu colo
Amor traz em teus olhos,
Que olhos, meu Deus, que olhos!

E por ventura me tens cativo
Escravo, a teu dispor.
Quero valsar contigo,
Chopin toque, por favor.

E vou-me enamorar desta formosa Dama.
Que tudo tem para me apetecer na cama
Ou quem sabe sobre um divã.
Formosa Dama leva contigo meu lenço.
Estou certo de que não te verei amanhã.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Não há lugar para pousar




Não há onde pousar.
Pedi asas,
E apesar de tê-las
Não tenho lugar para pousar.
Castigo será voar infinitamente,
Pelo universo
Como um viajante que nunca tem um lugar
Para pousar.
E depois de tudo invejar os homens
Que tem lugar para pousar,
Mas não tem asas...

Interlúdio








Há uma célula em mim que quer respirar e não pode.
Quer viver a ínfima paz e não aceita.
Quer bater de porta em porta
Mas teme não receber
Nem um minúsculo verso
-de dor, de amor, de ódio.

O ser humano não sente mais
Finge que sente
Grita que sente
Mas é só mais um coração batendo
Função natural da vida
Como qualquer animal.

Oh meu senhor,
Há uma dor alucinante  no meu peito,
Aqui dentro,
Eu quase não posso suportar.
Sangro pelos olhos, são lágrimas.
E agora que me dói os pulsos
A dor no peito pode se acalmar.
  
Oh meu senhor,
Há qualquer coisa de desprezível nessas pessoas
Que tanto olho e não consigo ver,
Que tanto leio e não posso entender...
Que tanto ouço e não posso compreender...
Será nelas, ou será em mim?

Há algo em mim que
Oxida,
O espaço a meu redor.

E senhor, se eu lamento tanto.
Em pranto a teus pés.
É porque minhas células não conseguem respirar.
Não há sentimentos para sentir.
Apenas a dor que não consigo conter.
Nesse breve interlúdio que uns chamar de viver
E eu chamo de existir.